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Cruz Vermelha assinala Dia Internacional Desaparecidos

30 Agosto 2013

"Todos os anos, centenas de milhares de pessoas são separadas dos seus entes queridos em situações assim", disse a chefe da equipe do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) que lida com pessoas desaparecidas, Marianne Pecassou. "As famílias dirão que o que mais querem é, acima de tudo, saber o que aconteceu com a pessoa de desapareceu-  infelizmente, em muitos casos, a questão pode nunca vir a ser resolvida. Mas elas também têm outras necessidades que vão além dessa".

Às vezes as necessidades se originam a partir de questões legais não resolvidas referentes à situação não resolvida da pessoa desaparecida. Essas questões podem envolver herança, bens, estado civil ou até mesmo a guarda dos filhos. Podem ser também necessidades financeiras decorrentes das despesas incorridas na busca do parente ou no apoio à família, caso a pessoa desaparecida fosse o arrimo de família.

No entanto, como explica Milena Osorio, assessora de apoio psicológico e de saúde mental do CICV, há também importantes necessidades psicológicas. Entre elas, estão o isolamento emocional, o sentimento de culpa, a raiva, a depressão ou o trauma, as tensões entre familiares ou com membros de outras comunidades. "As famílias de pessoas desaparecidas com frequência se encontram pelejando contra a incerteza. A maioria das sociedades tem rituais religiosos ou culturais para lidar com a morte", disse Osorio, "mas há muito pouco para ajudar as famílias de pessoas desaparecidas".

"As famílias têm o direito de saber o que aconteceu com os parentes desaparecidos. Saber isso é a sua necessidade essencial, mas além disso, há necessidades que devem ser atendidas pelos governos e por organizações como as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho", disse Pecassou.

No dia 30 de agosto, o Dia Internacional dos Desaparecidos, o CICV apresentará uma publicação intitulada "Acompanhamento de Famílias de Pessoas Desaparecidas: um Manual Prático", que visa ajudar as pessoas dentro e fora do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho que se esforçam para assistir as famílias de pessoas desaparecidas. O manual de 154 páginas está dedicado a "todos aqueles que tiveram de suportar a angústia causada pelo desaparecimento de um ente querido".

A nova publicação complementa o website familylinks.icrc.org, lançado em outubro pelo CICV para ajudar as pessoas a encontrarem parentes desaparecidos. O website também proporcionará informações sobre os serviços da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho que ajudam as pessoas a restabelecerem o contato com familiares no mundo todo.

"Em dez anos, desde a Conferência Internacional sobre Pessoas Desaparecidas e as suas Famílias (2003), desenvolvemos uma melhor compreensão sobre uma grande variedade de necessidades dessas famílias", observou Pecassou. "Entendemos que a nossa resposta a essas necessidades, para ser adequada, deve ser holística e multidisciplinar. Esperamos que o novo manual proporcione orientação nesse sentido"